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Cassada vereadora flagrada em áudios tentando extorquir prefeito de Alto Horizonte

Presidente da Câmara Municipal diz estar juntando documentação para finalizar trâmite na Justiça. Votação foi concluída com maioria absoluta em desfavor da parlamentar

Vereadora cobrava propina ao lado do marido, Rogério D’afonseca, segundo prefeito (Foto: reprodução)

Após uma sessão com duração de mais de seis horas, por cinco votos a três, vereadores de Alto Horizonte cassaram o mandato da colega Lauanda Peixoto Guimarães (PRB). O processo contra a parlamentar teve início após veiculação de matéria do Mais Goiás que expôs, em áudios, a atuação da ex-vereadora para, juntamente com o marido, Rogério da Silva D’Afonseca, extorquir o prefeito da cidade, Luiz Borges (PSD), como havia feito – segundo as gravações – com o gestor anterior, Oildo Silveira Machado (PP).

Votaram em favor da cassação a presidente da casa Rosana Rodrigues (PPS), a presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar (CEDP), Rosemeire Pacheco (PP), Tereza Souza Costa Fonseca (PP), Edmar Ramos (PP) e Edson Carvalho Cunha (PSDB). Como ré na ação, Lauanda era impossibilitada de julgar a si própria e não pode participar da votação. Com objetivo de absolvê-la, votaram Amarildo Ribeiro Rosa (MDB), Diogo Rodrigues de Sousa (MDB) e Valtemy Braz Gomides (Pros), os três que, em um dos áudios liberados, ela afirmava “ter na mão”.

Segundo a presidente da CEDP, Rosemeire Pacheco, Lauanda esteve presente na sessão, teve sustentação oral por meio de um advogado, além de ter espaço para se pronunciar. “Analisamos com intuito de ter certeza do que realmente ocorreu. Foram três meses de reunião para chegar a esse veredicto, mas tudo teve início com a divulgação dos áudios e por uma denúncia protocolada pelo prefeito na casa”.

O Mais Goiás tentou falar com os três parlamentares que votaram em favor de Lauanda, mas não conseguiu o telefone de Valtemy e Amarildo não atendeu as ligações. O único contato se deu com Diogo, que afirmou não ter atuado em defesa da colega.

“A oposição fez uma denúncia contra o prefeito, de que ele teria pago R$ 10 mil para a Lauanda, mas ninguém apurou, por que será? Não defendi ela, queria justiça para os dois lados, por isso votei contra a cassação”, ressaltou, embora ainda não tenha apresentado nenhuma prova. A redação também tentou novas ligações para Lauanda, mas o contato telefônico não foi estabelecido. Apesar de ter sido cassada, ela ainda é alvo de investigação da Polícia Civil.

Posse de suplente

De acordo com a presidente Rosana, a documentação do processo está sendo juntada na manhã desta quarta-feira (13) para que os autos sejam passados à Justiça. “Nosso processo foi feito, vamos agora enviar a documentação de todos os procedimentos que tomamos aqui ontem em desfavor da vereadora Lauanda para, logo na sequência, empossar o suplente”.

Trata-se de Marcelo Margoso (MDB), que atualmente desempenha a função de professor de Matemática em uma escola municipal de Alto Horizonte. Ele, que recebeu 121 votos para se tornar suplente, ainda não tem data para assumir o novo posto. “A presidente me ligou há pouco tempo para coletar meus dados e enviar para o juízo eleitoral. A data da posse ainda não foi agendada”.

Interpretação popular

De acordo com o servidor público Ronaldo Souza Pinheiro (36), o caso Lauanda causou “grande impacto” na cidade. Até a divulgação da primeira reportagem deste portal, ele afirma que Lauanda era conhecida como uma pessoa íntegra. “Ela se portava como defensora da Justiça, era chamada por alguns – em tom de brincadeira – de ‘Sérgia Mora’. Então, quando saiu o escândalo, com os áudios, ninguém esperava. Durante o processo, ela ficou sumida, só aparecia para dar andamento às diligências do processo”.

Ele que compareceu à sessão de cassação da vereadora e permaneceu até o final, revela ter sido alvo de outra decepção . “Quando saiu a primeira matéria, até colegas dela que integram a oposição afirmaram que se fosse verdade, ela teria que ser cassada. Ontem, essas mesmas pessoas a protegeram na votação, embora não tenha adiantado muita coisa. Mas o plenário ficou lotado por populares e a oposição ao prefeito, que sempre faz barulho nesses momentos, ficou emudecida”, aponta.

Uma recepcionista que não quis ter a identidade revelada afirmou que a cidade está com um sentimento de Justiça. “Todos ouviram os áudios, a gente percebe que eram bem comprometedores, porque ela pedia dinheiro. Então, se errou, tem que pagar. Porque todo o dinheiro ‘pago’ pela gestão passada dava para ser convertido em benefícios para a população mais carente, era o justo”.

Prefeito

Para o gestor da cidade Luiz Borges, a expectativa foi atendida, embora cause tristeza. “A gente fica triste porque o município é afetado por isso, é uma coisa negativa para a cidade, mas a câmara cumpriu o papel dela”.

Segundo ele, muitos duvidavam que a cassação realmente fosse ocorrer. “Muita gente achava que não ia dar em nada, porque ela afirmava que tinha todos em suas mãos. Ameaçou muita gente, mas o pessoal foi firme e não cedeu”.

Conforme expõe Borges, o interesse dele era cessar a pressão aplicada por Lauanda e o marido no Executivo. “Ela tinha que parar com isso, mas essa foi uma decisão do Legislativo. Não queríamos envolver a prefeitura para não contaminar o processo”, alega.

Fonte: Hugo Oliveira   –  Mais Goiás

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