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Demissões, fim de programas e mais: entenda as mudanças da TV aberta

O impacto do serviço de streaming pegou em cheio as gigantes da comunicação brasileira como a TV Globo, Record, Band e o SBT


Apresentadores como Otaviano Costa e da repórter Rafa Brites também não estão mais no quadro de funcionários da TV Globo. ARTUR MENINEA / GSHOW

Aos 54 anos de idade, a Rede Globo ainda é o maior canal do Brasil. Porém, em 2019, a emissora tem enfrentado algumas turbulências: demissões, reduções de salários e encerramentos de atrações tradicionais. Nos últimos cinco anos, a queda constante da audiência e, consequentemente, do faturamento, resultou em prejuízo de cerca de meio bilhão de reais em 2018. A fase ruim da gigante tem retratado uma crise que assombra os canais abertos, em busca de soluções criativas para se manterem vivas no mercado do entretenimento.

Neste primeiro semestre de 2019, um dos maiores programas da Rede Globo teve desempenho pífio. Com elenco morno, direção desastrosa, final insosso e polêmicas geradas por discursos preconceituosos de alguns participantes, a 19ª edição do reality Big Brother Brasil fracassou. Em janeiro deste ano, o fim do programa Vídeo Show, após 35 anos no ar, também deu indícios de que a grade de programação da emissora sofreria muitas mudanças.

Em março, foi a vez do dominical Bem Estar se despedir dos espectadores, também pegos de surpresa com as demissões dos apresentadores Fernando Rocha e Mariana Ferrão, à frente do programa por oito anos. Nomes como o da jornalista esportiva Cristiane Dias, do humorista Leandro Hassum, do ator e apresentador Otaviano Costa e da repórter Rafa Brites também não estão mais no quadro de funcionários da TV Globo.

Demissões, fim de programas e mais: entenda as mudanças da TV aberta

Enquanto Bial entrevistava o ministro Sérgio Moro, Danilo Gentilli
liderava a audiência com a funkeira Lexa como atração. TV GLOGO Divulgação

Mesmo quem continua na casa, ao menos as principais estrelas, sofreu com a redução dos salários. De acordo com informações do jornalista Daniel Castro, do Notícias na TV, Galvão Bueno, por exemplo, renovou seu contrato até o fim de 2022 com redução de seus vencimentos para algo em torno de R$ 500 mil. Em outras épocas, o narrador chegou a faturar mais de R$ 1 milhão. Cléber Machado e Luis Roberto também tiveram os seus salários diminuídos, mas em compensação foram liberados para campanhas publicitárias, o que lhes permitirá ampliar a receita.

Horário nobre, mas nem tanto

As novelas, um dos principais produtos da casa, já não são mais unanimidade nacional. Dados do Painel Nacional de Televisão (PNT), que contém números das 15 maiores regiões metropolitanas do Brasil, apontam que a emissora carioca já é segunda colocada em Salvador durante a semana, ficando atrás da Record. Em Goiás, a TV do bispo Macedo também já ultrapassa a da família Marinho. O mesmo acontecem aos telejornais. Jornal Hoje, queridinho dos brasileiros, vem perdendo em São Paulo com frequência para a Record e Reinaldo Gottino.

O talk-show de Pedro Bial é freguês do humorista Danilo Gentilli e seu The Noite, no SBT. O mesmo aconteceu com o Lady Night, de Tatá Werneck, que também perdeu para a empresa de Silvio Santos e tem visto a média de Ibope cair desde a estreia: de 15,8 pontos, com Cauã Reymond, para 10,2, com Sandy. Contudo, a concorrência não é o grande vilão da TV Globo. Apesar dos pesares, o canal permanece isolado na liderança da audiência nas médias das 24 horas do dia ou das 7h à 0h.

Tatá Wernec tem visto o Ibope do Lady
Night cair consideravelmente. TV Globo Divulgação

Impacto das plataformas de streaming

Para Maria Cristina Palma Mungioli, professora da escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), é preciso levar em consideração que as televisões abertas do mundo inteiro têm passado por transformações e readequações. “Não há uma crise, especificamente, na Globo. Devemos olhar a situação com um óculos bastante abrangente. O problema é global”, avalia.

Segundo a especialista, há uma transformação social na forma de consumir produtos midiáticos. “Não temos mais as pessoas chegando em casa no mesmo horário, ou a família se reunindo em frente à TV para assistir a um programa de televisão, como era antigamente. Com isso, as multitelas e os serviços de streaming ganham cada vem mais espaço”, considera Maria Cristina.

De acordo com ela, o movimento de mudança da TV Globo não só é normal, mas imprescindível para a sobrevivência aos novos tempos. “Podemos notar como ela tem valorizado o Globoplay, criado conteúdos próprios, trazendo séries internacionais com exclusividade. É um dos passos. A Globo está fazendo as atualizações necessárias para esse novo modelo vigente”, afirma a professora.

Maria Cristina refuta, ainda, qualquer teoria de que a crise seja o ponta-pé para a derrocada da emissora carioca e elogia o fato de o canal sempre ter superado as fases ruins ao se reinventar. “Na época de Pantanal, novela da Manchete que chegou a bater na Globo, muita gente falou de crise. Escreveram livros falando sobre “o fim da deusa platinada”… No frigir dos ovos a emissora mudou um pouco suas novelas, colocou as questões rurais mais evidentes, trouxe o Benedito Rui Barbosa para o time… No fim das contas, a Manchete fechou e a Globo ainda está aí”, conclui.

Fonte: http://METROPOLE

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