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Em Tocantins, colombiano tenta ser 1º estrangeiro governador no Brasil

Naturalizado brasileiro, Carlos Amastha disputa eleição para mandato-tampão até o fim de 2018. Senadores e ‘pai’ da Ficha Limpa estão entre adversários

O ex-prefeito de Palmas (TO) Carlos Amastha, que está entre os candidatos a governador de Tocantins na eleição deste domingo, 3 (Reprodução/VEJA)

 

Eleitores do estado do Tocantins vão às urnas neste domingo, 3, para eleger um novo governador. A eleição suplementar ocorre pouco mais de dois meses depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar os mandatos do ex-governador Marcelo Miranda (MDB) e de sua vice, Cláudia Lélis (PV), por arrecadação ilícita de recursos para a campanha de 2014.

Entre os concorrentes estão o presidente da Assembleia Legislativa de Tocantins e governador interino, Mauro Carlesse (PHS), o ex-prefeito de Palmas e empresário Carlos Amastha (PSB), a senadora Kátia Abreu (PDT), o senador Vicentinho Alves (PR), o ex-juiz eleitoral Márlon Reis (Rede), o procurador da República Mário Lúcio Avelar (PSOL) e Marcos de Souza Costa (PRTB).

Nascido em Barranquilla, na Colômbia, em 1960, e naturalizado brasileiro em 1990, Amastha tenta ser o primeiro estrangeiro escolhido para ocupar um governo estadual. Eleito prefeito de Palmas em 2012 e reeleito em 2016, ambas vitórias em primeiro turno, ele renunciou ao cargo em abril de 2018 para concorrer à sucessão de Marcelo Miranda.

O pleito que pode fazer do socialista o primeiro brasileiro não nato governador marcará também a estreia de Kátia Abreu nas urnas pelo PDT. Filiada desde o início de sua carreira política a partidos de direita e centro-direita (PFL, DEM, PSD e MDB) e ligada ao agronegócio, a senadora se aproximou de setores da esquerda durante o governo e o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), de quem foi ministra da Agricultura. Kátia aderiu à legenda no início de abril, cinco meses após ser expulsa do MDB por criticar o governo do presidente Michel Temer.

A bandeira anticorrupção, que deve ser um dos principais temas das eleições de outubro, é empunhada no pleito tocantinense sobretudo pelo ex-juiz Márlon Reis, idealizador da Lei da Ficha Limpa, que impede que réus condenados em segunda instância se candidatem em eleições. Reis se filiou em 2016 à Rede Sustentabilidade, liderada pela ex-senadora e pré-candidata à Presidência Marina Silva.

As sessões eleitorais estarão abertas das 8h às 17h. O governador eleito neste domingo ficará no Palácio Araguaia, sede do governo de Tocantins, até 31 de dezembro. Em outubro, nas eleições gerais, os eleitores tocantinenses voltarão às urnas para eleger um novo nome para o Executivo estadual. Para garantir que o pleito de hoje seja realizado com segurança, o TSE aprovou na última terça-feira, 29, o envio de forças federais a Tocantins.

Governador cassado

Em março, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por 5 votos a 2, cassar o mandato do então governador de Tocantins, Marcelo Miranda (MDB). Ele foi acusado pelo Ministério Público de uso de recursos ilegais na campanha de 2014. Segundo o MP, a fraude ficou demonstrada a partir da apreensão, pela Polícia Civil de Goiás, de 500.000 reais em uma mochila e material publicitário em um avião, além da simulação de contratos para justificar a movimentação de recursos. O dinheiro, diz o MP, era parte do caixa dois da campanha de Miranda. Na ocasião, os ministros do TSE determinaram que uma nova eleição devesse ocorrer entre 20 e 40 dias, período em que Mauro Carlesse (PHS) ocuparia o cargo.

Em seu voto no julgamento, o presidente do TSE, ministro Luiz Fux, afirmou que havia fortes elementos para a cassação de Miranda. “A campanha do governador do estado de Tocantins foi alimentada com vultosos recursos obtidos de forma ilícita, correspondentes a 21% do total oficialmente arrecadado, e se desenvolveu por caminhos obscuros, sobressaindo o uso de métodos de dissimulação com significativa aptidão para impedir o controle público quanto à origem e destinação de recursos financeiros despendidos, mercê da má fé do candidato”, entendeu Fux.

Eleições ocorrem em 20 municípios

Além do pleito em Tocantins, eleições suplementares ocorrem neste domingo em 20 municípios de nove estados brasileiros. Ao todo, 1,5 milhão de eleitores devem participar das votações. De acordo com o TSE, as novas eleições ocorrem em razão de decisões da Justiça Eleitoral que afastaram os mandatários anteriores dos cargos por indeferimento do registro de candidatura ou cassação do mandato. Em todas as cidades, a votação ocorrerá das 8h às 17h, no horário local.

Os municípios que terão novas eleições para prefeito e vice-prefeito são Jeremoabo (BA), Pirapora do Bom Jesus (SP), Bariri (SP), Turmalina (SP), Umari (CE), Tianguá (CE), Frecheirinha (CE), Santana do Cariri (CE), Teresópolis (RJ), Bom Jesus (RS), Niquelândia (GO), Vilhena (RO), Guanhães (MG), Ipatinga (MG), Pocrane (MG), João Câmara (RN), Pedro Avelino (RN), São José do Campestre (RN), Parazinho (RN) e Galinhos (RN).

Além da eleição deste domingo, no próximo dia 24 de junho, eleitores de mais seis municípios – Santa Luzia (MG), Itanhomi (MG), Timóteo (MG), Cabo Frio (RJ), Rio das Ostras (RJ) e Moju (PA) – também voltarão às urnas para escolher prefeitos e vice-prefeitos.

(Revista Veja om Agência Brasil) – Fonte: Revista VEJA

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