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Em Uruaçu, delegado é afastado do cargo suspeito de se apropriar de bens apreendidos em operações

Justiça determinou que o delegado Raphael Neris Barboza devolva as armas de fogo à Corregedoria da Polícia Civil. Defesa do delegado diz que ainda não foi notificada formalmente da decisão.

Foto: TV Anhaguera/ Reprodução

A Justiça de Goiás aceitou uma denúncia do Ministério Público de Goiás (MP-GO) contra o delegado Raphael Neris Barboza, suspeito de cometer os crimes de peculato, falsidade ideológica e prevaricação, quando chefiou a delegacia da Polícia Civil de Uruaçu, no norte de Goiás.

O juiz Gabriel Lisboa Silva decidiu nesta quarta-feira, 9 de setembro, afastar o delegado das funções, além de proibir que ele se aproxime da delegacia de Uruaçu e das testemunhas do Ministério Público. A decisão também determina que ele devolva as armas de fogo à Corregedoria da Polícia Civil.

Segundo o magistrado, os depoimentos de escrivães indicam que o delegado praticava desvio, apropriação e doação de itens apreendidos em investigações policiais em curso. De acordo com os servidores, essas eram práticas comuns do delegado.

A defesa do delegado Raphael Neris Barboza informou a imprensa que “ele não foi comunicado da respectiva decisão e que quando receber a notificação, uma vez formalmente ciente dos termos da decisão, irá, por óbvio, cumpri-la, e depois tomar as medidas cabíveis e necessárias ao esclarecimento da verdade”.

Objetos apropriados

Na decisão, o magistrado diz que o delegado teria se apropriado de cinco aparelhos celulares, todos objetos de apreensão de inquéritos policiais. Um dos aparelhos foi dado a uma pessoa, que confirmou o recebimento em depoimento ao MP-GO. As supostas apropriações valendo-se do cargo de delegado ocorreram no ano de 2019.

Além dos celulares, o delegado teria se apropriado de uma geladeira duplex, levada do pátio da delegacia de Uruaçu por um carroceiro, que já havia pedido o objeto diretamente ao investigador, conforme escrivães de polícia testemunharam ao MP-GO.

Uma televisão de 32 polegadas apreendida pela polícia também aparece como doada pelo delegado a uma igreja para ser usada na recreação infantil. Segundo a decisão, o próprio pastor admitiu que recebeu o televisor por meio do denunciado.

“Tais depoimentos estão em consonância com os diversos documentos apresentados no Inquérito Policial, os quais evidenciam que o denunciado não mantinha relação impessoal com os objetos apreendidos, em investigações passadas e em curso. Tais fatos restaram realçados quando o próprio investigado, em seu interrogatório policial, informou o desconhecimento sobre a destinação da geladeira e ao confessar a entrega do aparelho de TV à igreja”, escreveu o magistrado na decisão.

Foto: Polícia Civil/ Reprodução

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