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Itapaci – 75 Anos de História!

Conheça um pouco mais sobre a história da Princesinha do Vale do São Patrício:

Por: Anderson Ferreira Aquino. Bacharel e Mestrando em Geografia pela UFG.

Itapaci nasceu na porção sul do vastíssimo território do município de Pilar, quando esta bicentenária cidade vivenciava franca decadência. O ouro que tanto brilhou e animou a vida econômica, política e cultural de cidades goianas como Pilar, Crixás, Amaro Leite (atual Mara Rosa) e São José do Tocantins (atual Niquelândia) se extinguiu efemeramente, e a atividade minerária só voltaria a animar tais cidades a partir da segunda metade do século XX.

            Mesmo isolados e rodeados pela densa Mata de São Patrício, que verdejante cobria toda a porção norte da região conhecida como Mato Grosso de Goiás, um bom número de agricultores se instalou por volta dos anos 1920 no interflúvio que separa os rios São Patrício e São Patricinho. A falta de qualquer estrutura como estradas, escolas ou hospitais tornava a vida daqueles sertanejos um verdadeiro fardo. Naquela época, em relação as cidades mais próximas, só existia Pilar e Descoberto (atual Porangatu) que se viam em decadência desde o século XIX. Ao sul existia as pequeninas Jaraguá e Pirenópolis, além de Anápolis que só começou a ganhar destaque regional após a criação de Goiânia e a chegada da ferrovia na década de 1930. Guarinos, Crixás e Amaro Leite (atual Mara Rosa) estavam reduzidas a pequenos aglomerados de poucas casas, enquanto Uruaçu era apenas um pequeno povoado ainda denominado Sant’Ana. Ceres, Goianésia, Rubiataba e quase todas as outras cidades do Vale do São Patrício só surgiriam décadas depois, e toda a região era recoberta pela densa mata tropical de Cerradão.

            Por volta de 1930 as pioneiras famílias que desbravavam aquele sertão ermo começaram a se articular para que se cria-se uma povoação. Estes foram liderados por Domiciano Rodrigues Peixoto, que contava com o apoio de Domiciano de Assis Peixoto, Francisco de Assis Peixoto, Constância Ferreira Rodrigues, Joaquim Pereira Neves e João Monteiro. O local escolhido para se plantar a futura cidade foi na divisa da Fazenda da Água Fria com a Fazenda da Barra. Domiciano Rodrigues Peixoto, proprietário da Fazenda da Água Fria, doou 10 alqueires goianos para Santa Terezinha do Menino Jesus, que seria a padroeira do futuro povoado na margem direita do Rio São Patricinho.

No dia 02 de Julho de 1935 um cruzeiro de aroeira foi erguido na localidade por Abdias Dias da Silva. O primeiro nome dado ao lugar foi Água Fria, em homenagem a fazenda de Domiciano Peixoto, doador da gleba onde se assentaria a futura cidade. No primeiro trimestre de 1936 chegaram e construíram os dois primeiros ranchos naquele local os irmãos baianos Augusto Alves do Rego e José Alves do Rego. Abdias Dias da Silva construiu o terceiro rancho logo em seguida, mudando-se com sua família para lá.

Naquele mesmo ano, dia 04 de julho de 1936, foi rezada a primeira missa pelos padres Eliezer Almuedo e Valetim Rodrigues, vindos da Paróquia de Jaraguá. Terminada a missa foi realizada a benção do local onde iria se erguer uma capela de madeira em homenagem a Santa Terezinha do Menino Jesus, padroeira da futura cidade. Esta capelinha foi posteriormente demolida no final da década de 1940, quando foi criada e erigida a nova paróquia sob a supervisão dos missionários claretianos, que mudaram a padroeira para o Imaculado Coração de Maria, protetora da Congregação Claretiana.

Desde então não cessou-se de chegar novas famílias, dentre as quais merece menção a família de Pedro Ribeiro Durães, Maria Emereciano de Andrade, Silvério Antunes do Vale, José Maurício Ribeiro, José Guedes de Queiroz e Zenon Guedes de Queiroz, além das famílias Adorno e Adornelas.

Pelo Decreto-lei Estadual nº 1.233, de 31 de Outubro de 1938, o povoado foi elevado a condição de distrito com a denominação de Floresta, em homenagem a densa mata que circundava o distrito. O nome Floresta foi sugerido pelo jovem e que depois seria o primeiro prefeito de Itapaci, Sebastião Peixoto da Silveira. Subordinado ao município de Pilar, o distrito foi instalado em 15 de Março de 1939, contando com 19 habitações, sendo 17 delas cobertas de palhas de arroz e apenas 2 com telhas comum.

Em 31 de Dezembro de 1943, por força do Decreto-lei Estadual nº 8.305, Floresta passou a denominar-se Itapaci, que significa Pedra Bonita na língua Tupi, enquanto que o município de Pilar passou a denominar-se Itacê, nome que levou por apenas seis anos, até 1949, quando foi reestabelecido o nome de Pilar.

Em 1945 os status do distrito de Itapaci e da então cidade de Itacê se inverteriam. Por efeito do Decreto-lei Estadual nº 55, de 19 de Julho, foi transferida a sede municipal de Itacê para Itapaci. Pilar, na época chamada Itacê, perdeu o status de cidade e foi rebaixada a condição de distrito, enquanto Itapaci foi elevada à categoria de cidade, herdando de Pilar um território de cerca de 20 mil km², território que compreendia os atuais municípios de Crixás, Nova Crixás, Mundo Novo, Uirapuru, Santa Terezinha de Goiás, Campos Verdes, Pilar de Goiás, Guarinos, Hidrolina, São Luiz do Norte, Nova América e uma parte do território de Santa Rita do Novo Destino.

No dia 11 de Agosto do mesmo ano de 1945, há exatos 75 anos atrás, foi instalado oficialmente o novo município de Itapaci, cuja a sede ganhou finalmente a condição de cidade. Muitos foram os que idealizaram, sonharam e principalmente lutaram bravamente na construção desta linda cidade, que há 75 anos embeleza ilustremente o rol das cidades goianas.

No Vale do São Patrício Itapaci se destaca com primazia, tendo contabilizado no último Censo Demográfico realizado pelo IBGE em 2010 uma população de 18.458 habitantes, sendo o 5º município de maior população do Vale do São Patrício. Para o ano de 2019 o IBGE estimou que Itapaci já tenha uma população de 22.981 habitantes, o que demonstra como o município tem se dinamizado e a cidade tem crescido na última década. Este número é superior às estimativas para os municípios de Ceres (22.191 habitantes) e Rubiataba (19.882 habitantes), que no último Censo eram respectivamente o 3º e 4º entre os municípios de maior população na microrregião (IBGE, 2019). Se o próximo Censo Demográfico – que estava marcado para 2020 e foi adiado em razão da pandemia do novo coronavírus para 2021 – confirmar as estimativas, Itapaci deve saltar de 5º para 3º município com maior número de habitantes, atrás apenas de Goianésia e Itapuranga.

            Parabéns Itapaci pelos seus 75 anos de emancipação política-administrativa! Parabéns a todos os itapacinos e a todas as itapacinas, de nascimento ou de coração! Parabéns a todos e a todas que ajudaram a construir a nossa bela, acolhedora e próspera cidade! Foram muitos os que colaboraram, plantando e regando as raízes desta nobre cidade que germinou em meio a mata, e que, pela efemeridade da vida humana, já não se encontram entre nós. É dever nosso recordar e homenagear todos os que por Itapaci passaram e nela deixaram as marcas de seu trabalho e de sua garra, lembrando que somos nós, seus filhos, netos e bisnetos que colhemos com alegria os frutos que nossos antepassados plantaram. Eles plantaram aqui sementes de esperança, cultivada no labor das intempéries da vida e irrigada pelo suor dos imensos desafios do passado. Quanto a nós, temos a certeza de que o futuro nos reserva a graça de ver Itapaci florescer e frutificar ainda mais a prosperidade e a grandeza que a ela está prometida e que todos nós estamos ajudando a construir no presente.

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