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‘Maiores culpados não foram indiciados’, diz mãe de menina morta em parque de Ceres

Polícia Civil indiciou cinco pessoas na terça-feira (19). Para mães de vítimas do acidente, ‘justiça está incompleta’


Cinco são indiciados por acidente que deixou
uma menina morta e três feridas em Ceres. Foto: Reprodução

A mãe de Isabela do Amaral Vieira, que morreu após acidente em um brinquedo no parque de diversões em Ceres, disse estar indignada com o indiciamento de cinco pessoas que, segundo a Polícia Civil, seriam os responsáveis pelo acidente. Segundo Maria Aparecida do Amaral Vieira, os principais culpados não estão sendo responsabilizados. “Os maiores culpados não foram indiciados. Foi tirada a responsabilidade dos principais culpados, como a Prefeitura e o Corpo de Bombeiros da cidade, que assinaram os papeis. Estou indignada. Eles destruíram as nossas vidas”, afirmou.

A mãe de Isabela disse que o acidente tirou, além da vida da filha dela, a alegria da família. “A Isabela era a alegria da nossa casa. Ela saiu para brincar e, por irresponsabilidade, nunca mais a gente vai ter ela de volta. Eu tomo remédio para conseguir dormir; meu esposo chora dia e noite, vai ao cemitério todos os dias. Simplesmente destruíram nossas vidas”, relatou, por telefone, ao G1.

Apesar de estar indignada com a decisão da Polícia Civil, Maria Aparecida disse acreditar que a justiça será feita. “Além de crer na justiça divina, acredito que haverá justiça terrena. Se eu não acreditar que existe justiça aqui, aí eu simplesmente deixo de viver e lutar”, disse.

Isabela do Amaral Vieira, de 16 anos, que ficou gravemente ferida em acidente em brinquedo Surf em Ceres Goiás — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Maria Aparecida e as mães das adolescentes que ficaram feridas no acidente se reuniram na segunda-feira (18) com o promotor Marcos Rios para saber sobre os rumos do caso. Na data, as cinco pessoas ainda não haviam sido indiciadas pela polícia. O promotor só recebeu o inquérito na terça-feira (19).

Leidiane Pires Rodrigues, mãe de Talia Aparecida Pires, uma das adolescentes feridas no acidente, contou ter chorado muito depois de ficar sabendo que apenas cinco pessoas foram indiciadas. Em entrevista ao G1, Leidiane disse que ficou indignada com a decisão.

“Chorei bastante quando vi, porque acho que a justiça não está sendo feita. Acho que faltaram muitas pessoas que deveriam ter sido indiciadas. A sensação é de que a justiça está incompleta”, disse.
Leidiane contou que, após se inteirar da notícia, entrou em contato com o promotor Marcos Rios para pedir que novas providências sejam tomadas.

Segundo ela, o promotor pretende se reunir com as famílias das vítimas após a análise do inquérito e, em seguida, irá solicitar que seja realizada uma nova investigação.

Inquérito

De acordo com o delegado responsável pela investigação, Matheus Costa Melo, tanto os engenheiros quanto os demais indiciados responderão por homicídio culposo e lesão corporal culposa.

Segundo o delegado, o estudo sobre as condições do brinquedo deveria ter sido feito pelos engenheiros do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO).

“Tanto a Prefeitura quanto o Corpo de Bombeiros atuaram e exigiram todos os documentos necessários ao funcionamento do parque, contudo, a ART emitida pelo Crea foi elaborada por um funcionário sem competência para tanto, de maneira fraudulenta. Isso não impede a propositura de ações cíveis de responsabilidade objetiva em desfavor do Município e Estado. Respeito a opinião do promotor, que, caso queira, pode discordar do indiciamento da Policía Civil e denunciar outros envolvidos ou por outros delitos. Caberá ao Poder Judiciário aceitar ou não está denúncia”, afirmou o delegado.

Indiciados

Entre os nomes citados pela corporação como responsáveis pelo caso estão: dono do brinquedo, responsável pelo estabelecimento, operador da máquina e dois engenheiros, dos quais um também responde por falsificação de documento público.

O Crea-GO informou ao G1, por meio de nota, que “instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta dos profissionais envolvidos na ocorrência” (veja a nota na íntegra ao final desta reportagem).

Nota do Crea-GO

“Sobre o indiciamento de profissionais da área tecnológica em razão de acidente ocorrido em 26 de agosto de 2018, em um parque de diversões em Ceres, causando a morte de uma adolescente e ferindo outras três, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO) vem, por meio desta, informar que instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta dos profissionais envolvidos na ocorrência.

No caso de Weslley Gonçalves Arruda, que se apresentava como Engenheiro Mecânico, identificou-se a falsidade do documento apresentado para registro no Crea-GO. Foi apresentada, para inclusão de atribuição, uma declaração de conclusão de curso de Engenharia Mecânica, em 9 de fevereiro de 2017, com data limite para apresentação do diploma em 9 de fevereiro de 2018. O diploma não foi apresentado e foi constatada a falsidade da declaração de conclusão. Assim, o título de Engenheiro Mecânico foi cancelado no Crea-GO em 3 de setembro de 2018.

O registro de Weslley como Técnico em Eletroeletrônica no Crea foi suspenso pela Câmara Especializada de Engenharia Elétrica em 13 de setembro de 2018 e, posteriormente, também foi cancelado, em razão da criação do Conselho dos Técnicos Industriais, pela Lei nº 13.639/2018, passando a ser do novo Conselho a responsabilidade sobre o profissional.

No caso da Engenheira Mecânica Ana Paula Borges Lima, sua conduta está sendo analisada pela Comissão de Ética Profissional do Crea-GO, em caráter prioritário. Após julgamento, a profissional enfrentará as sanções cabíveis, que abrangem advertência, censura pública, suspensão e até cancelamento do registro”. Por Lis Lopes

Fonte: G1 – GOIAS

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