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Mais de 170 cidades goianas decretam ‘emergência’ e suspendem serviços públicos

Mais de 170 cidades goianas decretam ‘emergência’ e suspendem serviços públicos por uma semana por causa da greve de caminhoneiros, diz associação. Falta de combustível afeta transporte escolar e locomoção de ambulâncias. Em muitas regiões já não chegam mais alimentos para compor merenda

Caminhoneiros bloqueiam rodovias em Goiás (Foto: Vitor Santana/ G1)

 

Mais de 170 cidades do interior assinaram nesta segunda-feira (28) decreto de situação de emergência e suspenderam por uma semana serviços públicos – exceto os considerados essenciais, como atendimento em emergências e coleta de lixo – por causa da greve de caminhoneiros, de acordo com a Associação Goiana de Municípios (AGM). Os atos, que ocorrem contra a alta do diesel, estão completando oito dias.

Em nota, a entidade informou que a falta de combustível está afetando o transporte escolar e a locomoção de ambulâncias. Além disso, em muitas regiões já não chegam mais alimentos para a composição da merenda. O número de cidades que decidiu paralisar serviços corresponde a cerca de 70% dos 246 municípios de Goiás. Os prefeitos foram orientados a comunicar o Ministério Público.

O G1 apurou que, entre as cidades que compõem a lista estão Hidrolândia, Nova Veneza, Bonfinópolis, Iporá, Aporé, Guapó, Araçu, Itapaci, Baliza, Acreúna, Piranhas, Silvânia, Água Fria, Mara Rosa, Jussara, Mundo Novo, Caturaí, Leopoldo de Bulhões, Mossâmedes, Santa Terezinha de Goiás, Santa Tereza de Goiás, Guarinos, Ipameri, Santo Antônio da Barra, Castelândia, Turvânia, Joviânia, Itauçu, Urutaí, Novo Brasil, Campestre, Goianópolis, Cromínia, Santa Fé, Campinorte, Araguapaz, Itapirapuã, Ouro Verde, Rialma, Santa Rosa de Goiás, Cristalina, Água Fria e Água Limpa. A lista oficial ainda não foi divulgada.

Nota de apoio divulgada pela Associação Goiana de Municípios (AGM) e pela Federação Goiana de Municípios (FGM) a respeito da suspensão de atividades administrativas por causa da greve de caminhoneiros (Foto: Reprodução

 

Os prefeitos dessas cidades decidiram adotar a medida após discutirem, em um grupo que mantêm em uma rede social, os problemas decorrentes da paralisação. A AGM divulgou, em parceria com a Federação Goiana de Municípios (FGM), uma nota em apoio à iniciativa, pedindo para “a população para que compreenda o delicado período porque passam os municípios, neste período de escassez de bens, alimentos, combustíveis, os quais impedem a regular prestação dos serviços públicos”.

Presidente da associação e prefeito de Hidrolândia, Paulo Sérgio de Rezende (DEM) disse que a maioria dos municípios com suspensão de serviços têm entre pequeno e médio porte, com população variando em entre 3 mil e 15 mil habitantes. Alguns casos, porém, são de cidades com mais de 50 mil moradores.

“A maior dificuldade é que estão começando a faltar todos os suplementos, como transporte escolar. Não tem mais como abastecer, gás de cozinha já não tem mais na maioria das cidades pequenas, padarias não têm mais farinha de trigo para fazer a merenda escolar”, disse.

“Hospitais estão sem gás e alguns locais não tem mais medicamento. São ‘N’ problemas que já vem ocasionando a paralisação das prefeituras. Algumas prefeituras não têm a mínima de funcionar, a não ser os serviços essenciais.”

Rezende informou que, em Hidrolândia, a suspensão começa nesta terça-feira, já que a população não havia sido comunicada com antecedência. O prefeito decidiu transportar todos os botijões de gás das escolas para os hospitais e, assim, estender o tempo de serviço das emergências. A cidade tem cerca de 20 mil habitantes. “São situações que estão fugindo do nosso poder, estamos ficando de mãos atadas. Está beirando o colapso. Mesmo que regularize, estamos de mãos atadas”, disse.

Prefeito de Mundo Novo, Helcio Alves (PR) disse que a situação do município, no noroeste goiano, é preocupante. A cidade tem 6,8 mil habitantes, e 60% deles moram na zona rural. “A gente está parando não é por vontade, é por falta de condição. Hoje não tive como abastecer meus ônibus. Não temos combustível na cidade. A maioria dos meus alunos está na zona rural, que é enorme. Não tem gás nas escolas. Não chega produto para fazer a merenda escolar, não tem verdura na cidade. Começou a faltar farinha de trigo.”

Nesta segunda-feira (28), um paciente precisou ser transportado para um hospital de Goiânia. Após percorrer 425 quilômetros, a ambulância precisou ser reabastecida. O preço pago por litro de combustível foi de R$ 8,80.

“Estamos pagando o preço que a gente acha. Ela já chega lá de tanque vazio. É o único carro que está rodando hoje da prefeitura. Se continuar do jeito que está, vai parar tudo. Reservei 400 litros de gasolina. Dá quatro viagens só para Goiânia e só”, descreveu.

Em Iporá, cidade com cerca de 41 mil habitantes no centro do estado, o prefeito publicou decreto proibindo a circulação de veículos oficiais e suspendendo aulas.

Futura retomada dos serviços

O presidente da AGM, Paulo Sérgio Rezende (DEM), disse que a preocupação vai além do desabastecimento. “Nossa preocupação não é só com a regularização, mas com as receitas, que podem cair muito. É um efeito cascata, que vai criando grande dificuldade.”

A estimativa dele é que, após o fim dos bloqueios, ainda seja necessária uma semana para que as cidades sejam reabastecidas com todos os insumos.

“Prefeitos agora têm que ter muita cautela, priorizar as áreas mais importantes, a saúde e o transporte de pacientes, o lixo das cidades. Lá em Hidrolândia vamos priorizar a saúde e a limpeza da cidade, para a gente não ficar no caos na cidade. As outras áreas a gente vai esperar para ver”, completou.

O G1 procurou o Ministério Público para saber sobre orientações e possíveis recomendações às prefeituras que estão nessa situação e aguarda informações do Centro de Apoio Operacional do Patrimônio Público. Em nota, a FGM diz que a orientação “é que as prefeituras paralisem, até que normalize o abastecimento dos serviços básicos”.

Governador decreta emergência no estado

No sábado (26), o governador de Goiás, José Eliton (PSDB), decretou estado de situação de emergência no estado por conta dos protestos. Com a medida, ele pode requisitar equipamentos, materiais, mercadorias, medicamentos, veículos e combustíveis de propriedade particular; disponibilizar recursos para o custeio de procedimentos emergenciais; e usar as forças de segurança para garantir a livre circulação dos meios de transporte.

Eliton citou que o decreto é necessário para tomar “providências para evitar a interrupção de serviços essenciais à população, comprometendo a ordem pública, a segurança, a paz social e o bem estar das pessoas”.

O governador de Goiás, José Eliton, durante anúncio de decreto de situação de emergência por conta do protesto de caminhoneiros (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Além disso, pontuou que os bloqueios têm provocado “inúmeros transtornos”, principalmente no que diz respeito “ao transporte de alimentos, medicamentos, combustíveis e outros bens de primeira necessidade”.

Não há um prazo para que o decreto permaneça em vigor. Ele será revogado assim que “cessada a situação de emergência”. Em seguida, serão determinadas as “medidas necessárias ao retorno da normalidade”. Neste contexto, serão apurados atos que tenham causado prejuízo ao patrimônio público.

Fonte:G1 GO

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