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Quatro PMs enfrentam júri popular acusados de matar e ocultar corpo de jovem há 13 anos

De acordo com a denúncia, rapaz tinha antecedentes criminais e foi abordado quando caminhava com namorada. Defesa dos policiais nega crimes

À direita, policiais militares acusados de matar e ocupar corpo de jovem há 13 anos, em Goiânia (Foto: Vitor Santana/G1)

 

Por Vitor Santana e Raquel Morais, G1 GO

Quatro policiais militares das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam) enfrentam júri popular nesta quarta-feira (23), em Goiânia, acusados de matar e ocultar o corpo de um jovem há 13 anos. Segundo o processo, a vítima, identificada como Ueverson Geovane Dias, de 20 anos, caminhava com a namorada no Residencial Goiânia Viva quando foi abordada pela equipe e colocada dentro da viatura. O crime teria acontecido no dia 10 de janeiro de 2005. Desde então, o rapaz nunca mais foi visto. As defesas dos policiais negam o envolvimento deles com o ocorrido.

Segundo o juiz Jesseir Coelho, a vítima tinha antecedentes criminais por tentativa de homicídio e tráfico de drogas. “Testemunhas contaram que os policiais fizeram uma abordagem a um grupo. Em seguida, liberaram os demais envolvidos, mas algemando e prendendo o Ueverson. Desde então, ele não foi mais visto. E nem o corpo foi encontrado”, disse.

O Ministério Público denunciou os PMs Joselito de Jesus Britto, José Pereira da Silva, Wellington Alves de Oliveira e Renato Souza de Oliveira por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

“Esse foi um fato cheio de mistérios. O processo ficou muito tempo parado e só foi remetido ao Poder Judiciário em 2013. A denúncia foi oferecida com base nos indícios de homicídio do inquérito policial. Agora, com o depoimento de testemunhas, vamos ver se essa denúncia se sustenta”, disse o promotor José Eduardo Veiga Braga Filho.

A testemunha Itamar Felipe de Santana, durante júri popular de PMs acusados de matar jovem e ocultar corpo, em Goiânia (Foto: Vitor Santana/G1)

O advogado de defesa dos policiais, Thales José Jayme, alega inocência do grupo. “A nossa tese é a mesma desde o início, negativa de autoria. Houve a abordagem, mas só uma testemunha disse que viu a vítima sendo levada, é isso não é verdade.”

Os policiais não chegaram a ser presos e nem afastados de suas funções, segundo a defesa e o Ministério Público. Eles aguardavam o andamento do processo em liberdade. Nenhum familiar da vítima compareceu ao julgamento. Apenas uma testemunha foi ouvida na sessão. Itamar Felipe de Santana afirmou que conhecia a vítima, mas não presenciou a abordagem.

“Não me recordo de muitas coisas do fato. Conhecia o Uerverson, mas não vi ele sendo abordado. Fiquei sabendo por comentários dos outros”, afirmou.

O advogado dos réus questionou que, em 2013, a testemunha prestou um depoimento e afirmou ter visto a vítima sendo abordada e ser colocada dentro da viatura. Felipe disse que não se lembra de ter declarado isso.

“Eu não sei ler nem escrever. Me chamaram para prestar depoimento, mas eu queria sair de lá o mais rápido possível. Me deram um papel para ler e assinar, mas, como eu não leio, eu assinei só para sair de lá”, contou.

Fonte: G1 GO

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